“LOVE HURTS”
Por que sentimos dor? Por que sofremos quando as outras pessoas fazem mal? Por que sentimos tristeza com a saudade? Por que a falta de uma pessoa amada dói tanto na carne de nosso coração? Por que sentimos angústia com o choro que cristaliza os olhos de nossos irmãos? Por que sentimos angústia com o peso dos traumas que carregamos em nossa história, ou melhor, por que os carregamos, se sua origem é o mal e o nosso coração busca o bem? Se um dia um homem encontrasse pessoalmente com quem lhe criou, estas certamente seriam questões que ele colocaria em sua conversa, porque a resposta delas “resolveria” grande parte do que chamamos de “crises da humanidade”. Mas nós não temos este privilégio, nem da conversa nem das respostas, ainda bem, vá que elas existam. O que temos certeza de que existe é o homem, com sua existência e sua fé, com o limite de sua fé e de sua existência. Voar para além dos pássaros, ser mais rápido, o mais forte, ter a Sabedoria, estes são sonhos deste incansável quebrador de limites chamado ser humano, e a quase todos ele consegue superar menos um, a sua vida, a sua história, deste ele nunca poderá fugir, nunca poderá superar, a este universo de criações e transformações chamado vida ele está condenado. Trata-se de um jardim feito de rosas com pétalas veludosas, cujo carinho levam ao céu e os espinhos cortantes e profundos, fazem o coração humano sangrar com violência. Não podemos podá-los, senão assumi-los, com a humildade de um Deus que fez deste jardim o seu lar, que cuidou de cada pétala de rosa, que suportou amando cada espinho, Ele abraçou todas as rosas que nos dão medo, sentiu todos os espinhos dos quais fugimos, amou cada chaga e cada angústia que o mergulhavam no mais profundo da fragilidade humana, para conhecer cada batimento do nosso coração, para viver tudo o que a realidade da vida pode nos trazer, inclusive o GRANDE AMOR. Aquele que o levou ao grito que consumiu as últimas forças que seu corpo tinha, que poderia ter sido de socorro, de raiva, de medo, mas foi de amor: “Pai, perdoa-lhes”, um pedido de amor e perdão a nós homens que pesávamos em seu dilacerado coração. O cálice que ele pediu para afastarem, mas que foi bebido até a última gota, não foi um ato de poder, mas de amor, de um GRANDE AMOR, muito mais forte do que qualquer espinho, do que qualquer dor, porque é eterno, é maior do que a saudade, do que a angústia, do que o medo, por isso, transforma vidas e radicaliza a história. Jesus não nos ensinou como eliminar os sofrimentos, mas como assumi-los na radicalidade do GRANDE AMOR, não nos convida a fugir, mas a ter coragem e fé perante a vida, de sonhar que o GRANDE AMOR é possível, de ter esperança nele, de sofrer por ele, de nunca deixar de acreditar que ele é a fonte que rega os jardins coloridos que podemos plantar na vida e sufocar aos espinhos. Mesmo que jamais consigamos cortá-los da história, eles se tornam pequenos e fracos perto das flores que o GRANDE AMOR pode plantar nos corações humanos que choram e que sofrem.
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